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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Poemas...de Amor...por José Saramago



Nascemos para amar; a Humanidade

Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.

Tu és doce atrativo, ó Formosura,

Que encanta, que seduz, que persuade. 


 
José Saramago

Enleia-se por gosto a liberdade;

E depois que a paixão na alma se apura,

Alguns então lhe chamam desventura,

Chamam-lhe alguns então felicidade.



Qual se abisma nas lobregas tristezas,

Qual em suaves júbilos discorre,

Com esperanças mil na ideia acesas.



Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:

E, segundo as diversas naturezas,

Um porfia, este esquece, aquele morre.


Bocage, Sonetos

Química

Sublimemos, amor. Assim as flores

No jardim não morreram se o perfume

No cristal da essência se defende.


Passemos nós as provas, os ardores:

Não caldeiam instintos sem o lume

Nem o secreto aroma que rescende.



José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Poemas...de Amor...por Florbela Espanca


Amar!



Florbela Espanca
Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui... além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...

Amar! Amar! E não amar ninguém!




Recordar? Esquecer? Indiferente!...

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!




Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

 

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder... para me encontrar...



                  Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Poemas...de Amor...por Luís Vaz de Camões



Luís Vaz de Camões por Malhôa

Amor é um fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.




É um não querer mais que bem querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se e contente;

É um cuidar que ganha em se perder;




É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.




Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Poemas...de Amor...por Pablo Neruda


Para não Deixar de Amar-te Nunca



Pablo Neruda
Saberás que não te amo e que te amo

pois que de dois modos é a vida,

a palavra é uma asa do silêncio,

o fogo tem a sua metade de frio.



Amo-te para começar a amar-te,

para recomeçar o infinito

e para não deixar de amar-te nunca:

por isso não te amo ainda.



Amo-te e não te amo como se tivesse

nas minhas mãos a chave da felicidade

e um incerto destino infeliz.



O meu amor tem duas vidas para amar-te.

Por isso te amo quando não te amo

e por isso te amo quando te amo.




Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor”



                           As Bibliotecas Escolares sugerem
                                                                    Leituras com 




"Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada"

Pablo Neruda

Publicações D.Quixote
12ª edição
Lisboa 
2003

 Fundo documental BE Prof. Manuel Talhante