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terça-feira, 16 de março de 2021

Hoje é Dia de Poesia

          QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo 
que amava Maria que amava Joaquim que 
amava Lili que não amava ninguém.

 

João foi para os Estados Unidos, Teresa  
para o convento, Raimundo morreu de 
desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim 
suicidou-se e Lili casou com J. Pinto 
Fernandes que não tinha entrado na história.

                                                                

                                 Carlos Drummond de Andrade 


Poema declamado pelo autor

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

FELIZ ANO NOVO!

As Bibliotecas Escolares desejam a todos um FELIZ 2018!

RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade


Boas Leituras!

sábado, 18 de março de 2017

Carlos Drummond de Andrade: Antologia Poética

   Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é um dos mais importantes poetas brasileiros e um dos grandes nomes da poesia do séc.XX.

  Na biblioteca da ESCM já está disponível o título "Antologia Poética".  Organizada pelo próprio autor, podes encontrar nesta obra belíssimos poemas sobre o amor, a morte, a memória, a família e o passado brasileiro.

            

INFÂNCIA

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.

Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé, 
comprida história que não acaba mais.

Meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
 a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história 
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

            


Boas Leituras!