quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Mais do que ser uma pessoa conhecida, importa ser alguém que vale a pena conhecer (II)


1- Quais são os seus maiores medos?
Que as pessoas não me entendam e me julguem mal por aquilo que não conhecem.

2- Ainda se desilude? O que o desilude mais?
Sim. A falta de sinceridade, o oportunismo e a incompetência. Estes são os “lixos” que encontramos todos os dias, problema mesmo é a falta de “incineradoras”…

3- Se pudesse mudar de profissão, mudava?
Não, só sei mesmo ser educadora/professora e ainda não deixei de gostar da escola, lembro-me que entrei com 6 anos e nunca mais saí…

4- Considera que vivemos uma crise de valores? 
Não. Já deixámos de os ter há muito tempo (alguns de nós) por isso não estamos em crise, perdemo-los mesmo!
5- Qual a cidade/país que mais o marcou? Porquê?
Por motivos profissionais residi um ano letivo no Funchal. Incomodou-me a falsa aparência de tudo perfeitinho quando comecei a lidar com a pobreza que por lá está muito escondida e proibida mesmo de circular em algumas ruas. Deplorável!
6- Quando olha para as novas gerações o que pensa?
Que tenham ainda tempo de ser felizes. Quando deixarem de ser náufragos do dilúvio que lhe causámos. Espero que não os tenhamos afogado…

7- Como gosta de ocupar o tempo que tem livre?
Para além de não fazer nada sentada nos degraus do meu quintal, ler, ver bons filmes e documentários, passear e conversar. Também namorar.

8 -Nascemos e morremos sós, tem medo de estar só, ou a solidão não o amedronta? 
Estar só não é viver na solidão. Estar só pode ser opção, solidão é imposição. Sou do signo Gémeos, como tal preciso de estar só, várias vezes, para os equilibrar, os “gémeos”. Mas sim, tenho muito medo da solidão e de não conseguir vencê-la.

9- Hesitou em responder às nossas questões? 
Não, seria suposto?
10- Fernando Pessoa disse: " Quando quis tirar a máscara, estava pegada à cara". Sentiu receio em dar a conhecer facetas da sua vida, ao falar connosco, que não eram conhecidas? Ou seja teve medo de tirar a máscara ou ela está agarrada à cara?
Não, não tenho máscaras por isso não as tiro. Nem medo de mostrar o que sou. Nem todos me amam, claro que não. Mas têm pelo menos de me tolerar, isso sim, certamente!
Tive uma vez uma aluna, já aqui em Reguengos que me perguntou:
“-Professora… onde estiveste o resto da minha vida?” Para mim chegou.
Deixo-vos algo também.


Sei que pareço um ladrão...
Mas há muitos que eu conheço
Que não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço.








Obrigada pela iniciativa.

Conceição Vasques, Professora de Educação Especial

(Unidade de Multideficiência do 1º ciclo)


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